O Pão de Açúcar oficializou ontem a troca de comando no grupo. Enéas
Pestana, vice-presidente de operações da rede varejista, assume o lugar de
Claudio Galeazzi, que deixa o comando depois de pouco mais de dois anos à
frente da companhia.
“A escolha do novo presidente saiu por consenso entre os executivos e os
membros do conselho”, disse Abilio Diniz, presidente do conselho de
administração do grupo.
Galeazzi continuará a dar suporte à rede varejista como consultor e membro
convidado do conselho administrativo. Já Pestana tem um grande desafio pela
frente. Assume o maior grupo de varejo do País, responsável por receitas
anuais que giram em torno de R$ 40 bilhões, incluindo na conta a última
aquisição do grupo, as Casas Bahia. O novo presidente informou que vai focar
a sua gestão na estruturação do canal de vendas pela internet, na expansão
das redes Assai (atacado) e Extra Fácil (lojas de proximidade), no aumento
de sinergia entre as redes de eletrodomésticos Ponto Frio e Casas Bahia, na
manutenção do programa de controle de despesas e na busca pelo aumento da
eficiência. Além da intenção clara de expansão do grupo. “Estamos sempre
atentos às novas oportunidades que surjam no mercado”, disse Pestana. As
redes de drogarias e os postos de combustíveis são alvos de interesse do
grupo.
Para o consultor de varejo Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer
Desenvolvimento Empresarial, o grande desafio de Pestana será fazer uma boa
gestão em vários segmentos em que o grupo atua, com diferentes públicos e
num ambiente de negócios que anda a uma velocidade muito grande. Segundo
Foganholo, Pestana tem o perfil certo para enfrentar esses desafios. “O
Abilio é forte e carismático. Pestana é moderado e um bom interlocutor para
falar com líderes das diferentes bandeiras que estão sob o comando do Pão de
Açúcar”, avalia.
Pestana chega à empresa num momento em que o varejo passa por grandes
mudanças. Entre elas, um mercado com novas categorias de produtos, novos
formatos de comércio e uma classe emergente cada vez mais presente no
cenário econômico. Transformações que, na opinião de Foganholo, o Pão de
Açúcar, está conseguindo acompanhar muito bem. Ele cita como exemplo a
pulverização dos investimentos do grupo. “Até 2008, 50% do faturamento da
empresa vinha do Extra. No final deste ano, as receitas do hipermercado
devem representar entre 22% e 23%”, calcula o consultor.
MUDANÇA CALCULADA
A saída de Galeazzi não chegou a surpreender o mercado. Quando entrou no Pão
de Açúcar, em dezembro de 2007, o contrato tinha data de validade de dois
anos e o compromisso do executivo era de preparar um sucessor dentro da
própria casa. No início de 2009, durante a crise global, cogitou-se
prorrogar a permanência de Galeazzi até o final de 2010.
No final do ano passado, o grupo divulgou que Pestana seria o novo
presidente, mas essa mudança era prevista apenas para o final deste ano. Mas
o próprio Galeazzi começou a sugerir nos corredores da empresa que a sua
presença ali não era mais necessária. “Sou um homem de transformação, não um
executivo de longo prazo”, disse Galeazzi, um especialista em
reestruturações que exerceu a mesma função nas Lojas Americanas e na Artex.
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