A crise econômica internacional, definitivamente, não foi capaz de abalar o
comércio no Brasil. A prova está no desempenho do varejo no ano passado,
divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). As vendas no País acumularam alta de 5,9% em comparação
com 2008 e São Paulo superou a média nacional, com negócios 7,3% superiores
aos do período anterior. Em relação ao mês de dezembro apenas, o estado
mostrou um crescimento um pouco abaixo da média nacional (expansão de 8,4%
ante dezembro de 2008, contra elevação média nacional de 9,1%), mas isso é
visto, pelos especialistas, como um movimento natural, que não reduz a
importância do estado como motor da economia nacional.
O diretor da GS&MD – Gouvêa de Souza, consultoria especializada em varejo e
distribuição, Luiz Goes, lembra que, nos últimos anos, o varejo paulista já
vem tendo desempenho acima da média nacional. “Portanto, a base de
comparação é muito forte. Assim, crescer um pouco abaixo da média em um mês
ainda é um ótimo resultado pela participação que o estado apresenta no total
do varejo.”
Para se ter uma ideia, o consultor diz que só a região Sudeste concentra
cerca de 40% do potencial de consumo do País, e o Estado de São Paulo,
sozinho, responde por 25% do total. “Portanto, mesmo outras praças
tornando-se atraentes para o varejo, como é o caso do Nordeste, a
importância de sua participação ainda está muito distante da paulista”,
completa.
São Paulo, com seus cerca de 40 milhões de habitantes, continua sendo o
estado com a principal participação na composição da taxa do comércio
varejista brasileiro, seguido por Minas Gerais (10%); Rio Grande do Sul
(11,6%); Rio de Janeiro (6,2%) e Bahia (12,6%).
Otimismo – Além do fato de São Paulo já ser um mercado consolidado e,
portanto, com padrões e bases mais fortes de consumo, os especialistas ainda
ressaltam algumas condições específicas atuais das regiões Norte e Nordeste
do País para explicar a situação do mês de dezembro. “As pesquisas que medem
o índice de confiança do brasileiro mostram os consumidores das regiões
Norte e Nordeste mais otimistas com a economia do País”, diz Emílio Alfieri,
economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial
de São Paulo (ACSP).
O economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo
(Fecomercio-SP), Fabio Pina, confirma que os números já eram esperados e não
mudam o quadro de destaque paulista. Ele lembra que o padrão de consumo é
mais básico no Norte e Nordeste do que nos estados do Sul e Sudeste. “Além
disso, foram os locais em que a renda mais cresceu por causa do aumento real
do salário mínimo e dos repasses dos programas de políticas sociais do
governo federal”, afirma.
Apesar disso, ele destaca que a participação de São Paulo foi muito boa no
ano, tendo em vista que a crise afetou principalmente a indústria que, em
sua maioria, se encontra no estado.
Para Pina, o menor crescimento em dezembro 2009 não significou perda de
dinamismo do varejo paulista – o que até seria bem vindo no médio prazo,
pois significaria melhor distribuição de emprego e renda em outras regiões
do País. “Mas não foi isso o que aconteceu e nem deverá ocorrer no curto
prazo. A própria infraestrutura do estado, aparelhado com a mão de obra mais
especializada d e todo o País, torna São Paulo muito dinâmico. Portanto, já
neste início de ano os índices de varejo deverão retomar aos patamares da
média nacional”, afirma o economista.
Na comparação regional, todas as 27 unidades da Federação obtiveram
resultados positivos no mês de dezembro de 2009 em relação a igual período
do ano anterior. Os destaques ficaram com Acre (23,4%); Piauí (18,9%);
Sergipe (18,7%); Alagoas (17,5%); Rondônia (16,4%) e Roraima (16,3%).
Venda direta cresce 14% em 2009
O mercado brasileiro de vendas diretas acompanhou o bom desempenho do varejo
tradicional no ano passado e registrou crescimento real de 14,1% sobre
2008, totalizando negócios de R$ 21,858 bilhões, de acordo com dados
divulgados ontem pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas
(ABEVD).
Ao todo, o setor teve o envolvimento de 2,377 milhões de revendedores –
número 17,7% superior ao registrado há 12 meses. “Em um ano de adversidade
para a maioria dos setores da economia, as vendas diretas geraram
oportunidade de renda para 2,3 milhões de pessoas”, afirmou Lírio Cipriani,
presidente da associação.
Em termos de volume, foram comercializados pelo setor no ano passado
aproximadamente 1,7 bilhão de itens. Esse volume supera em 10% o resultado
registrado em 2008.
De acordo com a ABEVD, o número representa, em média, a venda de 30 produtos
ou serviços por residência. A associação considera para esse cálculo os 57
milhões de domicílios estimados pela Pesquisa Nacional de Amostra de
Domicílio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD–IBGE).
Há um ano, a média das vendas diretas era de 28 itens por domicílio.
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