admin

“Ninguém entende de varejo”

João Carlos Paes Mendonça foi um dos mais importantes barões da história do varejo brasileiro. Ex-dono do BomPreço e membro da família que foi controladora da rede Paes Mendonça, uma das maiores
supermercadistas do País, ele tem autoridade como poucos para avaliar o
setor. E seu veredicto é ousado: “Ninguém entende de varejo no Brasil”, diz
este sergipano de 71 anos, 60 deles dedicado ao segmento. “Nem eu mesmo.”
Homem de diálogos francos e diretos, Paes Mendonça sempre primou pela
sinceridade. “É muito difícil entrar em cidades ou regiões que não se
conhece. Veja o exemplo do Abilio Diniz, que tentou entrar na Bahia sem
sucesso, e o Michael Klein, da Casas Bahia, que acabou saindo do Rio Grande
do Sul. É mais complicado entender o consumidor do que se pensa.” Afastado
do ramo de supermercados, Paes Mendonça quer voltar a investir em São Paulo,
mas agora sua prioridade é outra. “Estou no negócio de shopping centers há
anos. De supermercado, não quero saber mais”, diz.
O desabafo parece sincero, mas é facil perceber, entre um deslize e outro,
como ainda bate ali o coração de um supermercadista. “Hoje, o cara da classe
C quer ser B, o da classe D quer ser C. E já não se sabe quem está em que
camada mais”, afirma. “Se você quer descobrir em que parte da pirâmide
social seu consumidor está, olhe no carrinho de supermercado dele. É uma
tática infalível.”
Há um mês, a holding do empresário, chamada de JCPM, adquiriu 20% de
participação no Shopping Granja Viana, na Grande São Paulo, estabelecimento
que pertence à BR Malls. Anos antes, o Paes Mendonça já havia comprado 20%
do Shopping Villa Lobos. Existem hoje dez shopping centers no País em que o
grupo nordestino tem participação acionária (sendo oito nos Estados da
Bahia, Pernambuco e Sergipe). Em cinco deles a empresa já é investidora
majoritária. O crescimento médio da companhia não tem sido inferior a 20% ao
ano, segundo fontes ligadas à empresa, que atua também na área de
comunicação e construção civil. “Em São Paulo, somos minoritários e eu
pretendo continuar assim”, afirma. “Avalio sempre se há algum negócio com o
pessoal da BR Malls. Se tiver algo que interesse, sentamos e conversamos”,
afirma, num recado que parece encaminhado ao comando da BR Malls. Em 2010,
Paes Mendonça vai abrir um novo shopping em Salvador e planeja outro para a
cidade do Recife.
Diz que vai crescer nessas regiões “passo a passo”, sem se atropelar ou
buscando recursos a qualquer custo. “Não tenho pressa, não estou endividado
ou mesmo em qualquer processo de sucessão. Ou seja, não há razão para
aceitar vender meu negócio ou parcela dele.”
Quando ele se desfez da rede BomPreço, adquirida pelos holandeses da Royal
Ahold em maio de 2000, Paes Mendonça abriu mão de um negócio que pertencia à
família há mais de seis décadas. Hoje, a rede é controlada pela americana
Walmart. À época, ninguém entendeu muito bem o que ele havia feito. Aos mais
próximos, disse que era o momento de sair de cena, já que a disputa entre os
gigantes do segmento ficaria feia. E o cheque, de R$ 600 milhões, segundo
rumores da época, era gordo.
O estilo pragmático é marca registrada de toda a família. Em maio de 1999, a
rede Paes Mendonça, liderada pelo tio Mamede Paes Mendonça, alugou os seus
25 pontos para Abilio Diniz, do grupo Pão de Açúcar. O motivo do acordo:
endividada e pouco capitalizada, não tinha fôlego para brigar com os rivais
mais fortes (Diniz os transformou em pontos das redes Extra, Pão de Açúcar e
CompreBem).
Apesar de estar há uma década distante do chão de loja de uma rede
supermercadista, o empresário fala do antigo negócio com paixão escancarada:
“Na outra encarnação, eu quero voltar como varejista de novo.”
fonte: IstoÉ Dinheiro
QUER SABER MAIS SOBRE O VAREJO BRASILEIRO?
http://www.aprovare.com.br/
CLIQUE E CONHEÇA A APROVARE!

Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 259

URI de rastreio | RSS dos Comentários

Deixe uma resposta.

Você deve estar conectado para publicar um comentário.