Tradicional loja de departamentos, a rede Mappin voltará ao mercado em até
três anos, depois de ter fechado suas portas no mercado paulista. Quem
garante é Nasser Fares, diretor-geral da moveleira Marabraz, que
comprou a marca Mappin em dezembro, por R$ 5 milhões, em um leilão. O nome
da empresa está avaliado em R$ 12 milhões. Em entrevista ao DCI, o executivo
afirmou que o relançamento do Mappin está descartado para este ano, mas
acontecerá em 2 ou 3 anos no máximo. “Este ano vamos começar uma série de
estudos para saber como será estruturada a loja.”
De acordo com Fares, a nova rede terá um ramo de atuação diferente das lojas
de móveis Marabraz. A possibilidade de trabalhar com a venda de
eletroeletrônicos não está descartada. “Pode ser dessa forma também, mas
ainda é cedo para dizer exatamente”, afirmou.
Especialistas consultados pela reportagem foram unânimes em dizer que é
pouco provável uma voltar do Mappin “nos moldes antigos”. Ou seja, com venda
de produtos variados.
Para o professor Cláudio Felizoni do Programa de Administração do Varejo
(Provar) o varejo, hoje, não é propício para abrigar lojas de departamentos
e vê o relançamento da marca como uma estratégia da rede Marabraz para
ganhar mercado com a diversificação de itens. “Parece que a ideia é ampliar
a participação na venda de bens duráveis usando a carteira de clientes que
eles já têm”, diz o professor.
O professor também acredita que a diversificação do mix seja uma forma de se
posicionar no mercado com uma marca forte e assim ganhar fôlego. “Não
podemos esquecer que hoje a CBM domina 70% do varejo”, diz.
Outro que acha pouco provável a volta do Mappin como rede de departamentos é
Luiz Góes, sócio sênior da Gouvêa de Souza & MD, consultoria especializada
em varejo.
Segundo Góes, em uma década - tempo em que a varejista ficou fora do
mercado - o setor mudou significativamente e isso pode fazer com que a nova
administradora tenha interesse em relançar a marca sob novas perspectivas.
“Acho que vai ser diferente. O formato de lojas de departamento, [como nos
EUA] praticamente desapareceram no Brasil”.
Mudança
Apesar do forte apelo que a marca ainda traz, os consultores acreditam que,
antes do relançamento é preciso fazer um extenso trabalho de marketing para
reforçar o nome na memória dos consumidores mais jovens. Para Luiz Góes, o
apelo do Mappin não comum após décadas. A rede foi trazida para o Brasil em
1913 e foi famosa até 1999 quando faliu. “É impressionante a força desse
nome. Ainda mais com o fim melancólico que a empresa teve”, diz.
Felizoni também acredita que o grande atrativo para as futuras operações
sejam a força da marca, mas acredita que é preciso investimento na mudança
de perfil da rede para atrair às gerações mais jovens. “Eles dominaram a
cena do varejo durante décadas, mas será preciso pensar que o varejo mudou
nos últimos anos”, diz o professor.
Em comunicado a moveleira afirma que a gestão da nova loja “será feita de
forma absolutamente independente dos atuais negócios. Porém tudo indica que
a Marabraz caminha para uma mudança no perfil do seu público-alvo, ao
começar a fabricar móveis mirando a classe média e média alta -antigos
consumidores do Mappin, como contou Nasser Fares. “Agora queremos atingir as
classes AB”.
Dificuldade
Como noticiou o DCI de ontem, a Marabraz poderá ter dificuldades para com o
negócio, caso aprovado o projeto de lei nº 5945/09, do deputado (suplente)
Professor Victorio Galli (PMDB-MT), que transfere as obrigações trabalhistas
pendentes da direção anterior da massa falida para o arrematante. A
aquisição da marca aconteceu por meio da LP Administradora de bens, do
empresário Adiel Fares, um dos quatro sócios da Marabraz, durante um leilão,
em dezembro passado. O leilão terminou após uma pane no sistema e, por ter
dado o último lance, Adiel levou o nome por R$ 5 milhões - menos da metade
do valor de mercado R$ 12 milhões.
Móveis
Apesar do crescimento nas vendas de móveis nos últimos dois meses, por causa
da redução do Imposto Sobre Produto Industrializado (IPI) Nasser Fares
acredita que o setor pode ter crescimento tímido este ano, caso se confirme
o aumento de 8,5% na matéria prima (chapas de madeira) para a fabricação dos
produtos. “Acho importante que a gente possa comprar do mercado externo
também”, diz o diretor da rede Marabraz. Para Fares, o crescimento do setor
deve ser na ordem de 10% este ano, com o crescimento imobiliário, mas é
preciso cautela porque remarcações podem assustar os consumidores. “As
vendas melhoraram, mas tenho medo de alta nos preços.”
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