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Concorrência e Internet fazem Virtual Music fechar as portas

2 de Outubro de 2008 às 17:20 admin  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 153

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O aumento do número de downloads de músicas e filmes pela Internet, a
concorrência acirrada com grandes livrarias e magazines e a pirataria
levaram a Virtual Music, rede especializada em CDs e DVDs, a fechar suas
portas, ontem, em São Paulo. Nos tempos áureos, a companhia fundada pelo
imigrante português Bernardo Pereira Tavares, 70, chegou a operar 58 lojas
entre a capital paulista e o interior do estado, mas neste ano, as últimas
12 filiais encerraram suas atividades.
A Virtual Music seguiu o mesmo caminho trilhado pelas antigas rivais Planet
Music, Love Music e TKR. A concorrente Billbox Records, que mantinha 5
unidades em funcionamento, também recuou no mercado, tendo hoje apenas a
primeira unidade, situada no Shopping Morumbi e aberta há 26 anos.
Entretanto, a rede familiar, cujo porte é menor que o da Virtual Music,
encontrou no comércio eletrônico (e-commerce) um fôlego extra para crescer e
manter-se ativa em um setor que caminha para o declínio. A loja virtual foi
produzida para atender aos pedidos de compradores de outros estados e,
segundo a empresa, conta com sortimento composto por mais de 900 mil
produtos, enfocando, inclusive, a venda de artigos importados. A reportagem
do DCI procurou a empresa, mas foi informada de que seus responsáveis estão
viajando.
De acordo com Tavares, a queda violenta de vendas de CDs, o download
indiscriminado de músicas pela Internet e a concorrência com redes como
Livraria Saraiva, Siciliano e Fnac “provocaram nossa queda no mercado,
porque também vendem livros e têm mais força. Nosso principal público-alvo,
o jovem, deixou de comprar CDs”. Segundo ele, as lojas do segmento estão
desaparecendo no País: “95% dos estabelecimentos faliram nos últimos dois
anos”, estimou Tavares.
Para reforçar o cenário de declínio do mercado, Bernardo Tavares revela que
desde 2007 suas vendas registram queda de 50%, enquanto no setor o
percentual alcança a casa dos 60%, incluindo livrarias e supermercadistas
como Grupo Pão de Açúcar e Carrefour, por exemplo. “Hoje esse tipo de loja é
raro, mas, antigamente, o Shopping Ibirapuera contava com 14 lojas nesse
segmento e o Shopping Center Norte, que possuía nove lojas, tem atualmente
apenas Saraiva Mega Store”, avaliou, ao comentar sobre os malls instalados
na capital paulista.
Histórico
A rede Virtual Music nasceu em 1996 como conseqüência da modernização do
Comercial Seis de Ouro, criado pelo empresário no início da década de 80,
que chegou a operar com 58 lojas de rua. “Minha esposa Admilde teve a idéia
de modernizar o layout da nossa antiga rede para abrir unidades em shopping
centers”, lembrou Tavares.
Depois de aproveitar a primeira onda de expansão dos centros de compras no
País, a rede Virtual Music atingiu seu ápice ao contar com 38 lojas nos
principais empreendimentos do Estado de São Paulo. “Há três anos a rede
iniciou o processo de fechamento de lojas, acentuado em 2007. Iniciamos este
ano com 12 lojas e, infelizmente, estamos fechando a última”, disse José
Aureliano, gerente da até então remanescente unidade do Conjunto Nacional.
Ontem, a loja estava em ritmo de liquidação do estoque, abarrotada de
clientes interessados nos descontos de 10% em artigos como CDs e DVDs,
inclusive aqueles que estavam em promoção. A cena era no mínimo paradoxal.
Aureliano trabalhou 20 anos na Virtual Music, foi o funcionário que
inaugurou e fechou a loja.
“É difícil competir quando se tem como principal produto de venda a música;
por conta da negociação com as editoras que também atuam no mercado
fonográfico, vendíamos alguns produtos com preços até 40% maiores que os das
livrarias, já que nosso foco não era a revista ou o livro, mas o CD”,
queixou-se Aureliano.
Bernardo Tavares diz que agora terá como fonte de renda a aposentadoria e a
venda do estoque de suas lojas na Estação CD, loja de atacado no Centro de
São Paulo. Ele destaca que a rede Siciliano, comprada pela Saraiva este ano,
deixou de vender CDs por um tempo, e agora, com a nova operação, este tipo
de produto volta à cena.
Na opinião de Tavares, o que impulsiona as empresas do varejo de música a
saírem de cena é o aumento da venda de músicas pela indústria no ambiente
virtual. “Algumas até cobram participação no faturamento dos artistas”,
finalizou Bernando.

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