Preocupação não é com ações de sustentabilidade
29 de Setembro de 2008 às 15:20 admin | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 101

Ações de responsabilidade social e ambiental desenvolvidas por empresas
ainda são algo distante da percepção do consumidor paulistano. Levantamento
realizado pela consultoria de pesquisa H2R mostra que 67% deles não prestam
atenção se os produtos adquiridos são fabricados por empresas que
desenvolvem programas desse tipo. “Essas ações são recentes e agora estão
ficando mais evidentes de forma massiva”, afirma o diretor e um dos sócios
da empresa Rubens Hannun.
Realizada com 450 pessoas de classe econômica A, B, C e D e faixa etária
entre 14 e 65 anos, em julho, a pesquisa mostra que sexo e estado civil não
interferem no resultado. Mas por classes sociais, os resultados apresentam
mais diferenças. A classe B com 40%, e a classe C, com 36%, são as mais
ligadas nas ações de responsabilidade sócioambiental. Já 80% da classe D não
se preocupam com esse tema quando faz compras.
Outra parte da pesquisa mostra o comportamento do consumidor na hora da
decisão da compra se soubessem que o produto é de uma empresa com programas
de responsabilidade social e ambiental. Nesse caso 20% dos entrevistados
disseram que dizem só comprar produtos de empresas com esse tipo de ação.
“Mas 43% já afirmam que entre dois produtos, compraria o da empresa que
desenvolve programas de responsabilidade social e ambiental”, diz. Para 37%,
a escolha pelo produto independe de ações sócioambientais praticadas pelos
fabricantes.
“Você já gostou do produto, ele atende às suas necessidades. A decisão por
não comprar por conta da atitude da empresa é uma posição muito firme”, diz
Hannun, ressaltando que essa decisão é uma questão de consciência. “Estamos
nesse caminho”, acredita.
A pesquisa mostra ainda que a opção de compra de produtos de empresas
comprometidas com questões ambientais e sociais é maior no topo da pirâmide.
Começa com 30%, na classe A, passa para 24%, na classe B, 21% na classe C e
decresce para 8% da classe D.
Para Hannun, a maior surpresa do levantamento está relacionada à idade. Os
mais velhos são os que mais procuram comprar produtos de empresas com
programas sociais e ambientais: 29% das pessoas entre 51 e 65 anos disseram
sempre comprar produtos dessas empresas. Já entre os adolescentes o
resultado foi de apenas 11%.
O nível de escolaridade também faz diferença quanto ao grau de envolvimento
e identificação com hábitos de compra mais ou menos voltados para produtos
de empresas com programas sociais e ambientais. Os entrevistados que
finalizaram o ensino fundamental completo são mais indiferentes: 45%. Para
46% dos que concluiram o ensino médio há possibilidade de fazer esse tipo de
compra.
Para Hannun, o consumidor está cada vez mais exigente em relação à postura
das empresas. Na avaliação da diretora de assuntos corporativos do
Carrefour, Renata Moura, as empresas estão evoluindo em direção à adoção de
ações sócioambientais. No princípio, diz a executiva, as empresas cumpriam
exigências legais. Depois passaram a fazer filantropia. E agora estão
entendendo que o valor delas vai ser medido pela percepção da marca por
questões intangíveis. “Não é uma questão de moda, é uma necessidade de
modelo de gestão de empresas. É uma postura que adotamos independente da
demanda do consumidor”, afirma Renata.
Apesar disso, a executiva diz que é possível observar cada vez mais a
vontade do consumidor de querer participar da vida da empresa. No site da
varejista, o blog de relacionamento “Eu uso a cuca” lançado em fevereiro
deste ano já registrou 600 mil acessos. “A relação marca está extrapolando
produtos e empresas e se refletindo em políticas de gestão”, diz Renata.
A empresa de origem francesa está presente no Brasil há 30 anos e há 20,
adota um programa de garantia de origem, em que rastreia os produtos desde o
fornecedor até as lojas. “Além disso percebemos um crescimento na demanda
por produtos verdes”, diz. Dados da empresa mostram que em 2006 a linha
Viver contava com 80 produtos e saltou para 300 este ano.
fonte: Gazeta Mercantil
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