Varejistas repassam a elevação dos juros
26 de Setembro de 2008 às 17:20 admin | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 111

Os consumidores podem não ter se dado conta, mas as varejistas de
eletroeletrônicos e móveis estão repassando aos poucos a elevação da taxa de
juros desde que a Selic começou a subir nos últimos meses. Os aumentos estão
sendo feito a conta gotas para torná-los imperceptíveis e não assustar os
clientes das lojas. Pesquisas feitas pela firma Shopping Brasil, que coleta
dados sobre as promoções anunciadas pelas varejistas em jornais e revistas
no país, mostram que os juros médios cobrados subiram de 4,3% ao mês em
junho para 4,9% ao mês em setembro. A empresa vende essas
informações para as próprias redes de eletrodomésticos, que acompanham seus
concorrentes. Uma das armas usadas pelo varejo foi aumentar o número de
parcelas para fazer com que o valor da prestação continuasse cabendo no
bolso do consumidor. Até junho, cerca de 52% dos planos ficavam entre 9 e 12
vezes. Mas, a partir de agosto, passaram a predominar os planos com mais de
12 pagamentos, que hoje já representam 50% das ofertas, diz José Resende,
presidente da Shopping Brasil. A Casas Bahia foi uma das redes que usou
desse recurso. Hector Nuñez, presidente do Wal-Mart do Brasil, admite que o
aumento das taxas será inevitável após a elevação no custo do dinheiro. A
varejista possui uma parceria com o Unibanco na área financeira e está
negociando com o banco a estratégia que será adotada daqui para frente.
“Vamos fazer tudo que for possível para que o aumento (da Selic) não tenha
impacto para os nossos clientes”, disse o executivo. Segundo ele, as taxas
cobradas pela varejista não subiram até o momento. Como as vendas que serão
feitas durante o Natal serão pagas ao longo de 2009, as varejistas estão
monitorando de perto as taxas nos contratos futuros de juros. Os contratos
de DI ( taxa média de Depósitos Interfinanceiros de um dia) para janeiro de
2010 fecharam ontem a 14,7% ao ano. “Não há como o varejo não ser
contaminado pelas pressões da Selic”, afirma Thiago Baisch, gerente de
marketing da Colombo, maior rede de eletrônicos do Rio Grande do Sul.
Segundo ele, a varejista também vem tentando manter as suas taxas “até o
limite da capacidade” e não alterou os juros. “Mas podemos ser impelidos a
mexer nas nossas no futuro”. Com a profusão de planos oferecidos pelos
varejistas, que cobram juros diferentes de acordo com os prazos e as formas
de pagamento (cartão de crédito e carnê), está cada vez mais difícil
identificar os reajustes.
FONTE: Jornal Valor Econômico
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